Confusão no Carnaval e a psicologia das massas
Que as escolas de samba se movem perigosamente próximas a uma área de sombras, interagindo com grupos historicamente violentos como as torcidas organizadas, é senso comum. Embora tal fato não seja a causa dos tumultos ocorridos durante a apuração dos desfiles paulistanos, essa vizinhança pode ter potencializado o desdobrar dos acontecimentos.
O estudo formal do comportamento das massas teve seu início em meados do século XIX, justamente pela necessidade de as elites da Europa tentarem entender – e prevenir – os movimentos revolucionários da patuleia.
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Aprender com os idosos a tocar em frente
“Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais”
Poucos ignoram a belíssima Tocando em frente, de Almir Sater e Renato Teixeira, que mostra um pouco da sabedoria caipira. (…) Tocar em frente parece ser um dos grandes segredos de uma vida boa. As alternativas – ficar parado ou olhando para trás – são fatores hoje reconhecidamente associados a depressão, e grande parte dos tratamentos para pacientes deprimidos passam justamente por tentar fazer com as pessoas deixem de remoer pensamentos e “toquem em frente”.
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Efeitos colaterais do amor
“Eu não sou elitista, só acho que exitem dois grupos: nós e o resto”, dizia o ímpar professor Juarez Montanaro, figura inesquecível para os que com ele estudaram medicina legal. A piada, como muitas outras, disfarça uma tendência comum a todo ser humano: julgar melhor os que são do “nosso grupo” (qualquer que seja ele) do que os que são de fora. Esse é um viés cognitivo chamado de viés intragrupo, e pode ser considerado um efeito colateral do amor. Isso mesmo, depois de tratarmos das belezas da occitocina e dos vínculos que ela ajuda a criar, vale a pena dar uma olhada num outro lado dessa história.
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Para meu filho
Por que as pessoas têm filhos? E, mais do que isso, por que gostam deles? Como se explica essa sensação única, que é sem paralelo na experiência humana? A fria ciência tem algumas respostas que, em princípio, nada têm a ver com o sublime amor paterno. Mas para mim isso não acaba com a poesia da história. No conto “Os nove bilhões de nomes de Deus”, de Arthur Clarke, quando a ciência descobre o verdadeiro nome do supremo criador as estrelas começam a se apagar uma a uma nos céus. Não sei se concordo. Não acho que a ciência retire o brilho das estrelas, como não creio que haver um fundo biológico para o amor aos filhos apague sua transcendência.
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Frustrações com a hipnose, da Suécia ao Paraná
A hipnose forense está em alta. Não só o romance “O hipnotista” faz sucesso no Brasil e no mundo como no mesmo ano do lançamento do livro no país (2011) foi reinaugurado um laboratório de hipnose no Instituto de Criminalística do Paraná. Acho que é hora de retomar a campanha por uma Legislação Baseada em Evidências.
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O complicado estupro no BBB
Se você usa o tempo que gastaria assistindo Big Brother Brasil para algo mais saudável, como ler jornais ou se manter informado, provavelmente deve ter se deparado, mesmo assim, com o infame BBB nos últimos dias. Uma grande polêmica se armou quando um dos integrantes foi acusado de, aproveitando-se da embriaguez de uma das moças da casa, ter relações sexuais enquanto ela estava inconsciente.
É a típica situação em que surgem gritas de ambos os lados, uns culpando a vítima, que deveria saber que não se deve convidar um homem para passar a noite em sua cama após uma festa regada a álcool, outros linchando o rapaz como um estuprador em série. Arriscando-me a desagradar aos dois lados (mais uma vez), acho que cabem algumas ponderações.
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Psicopatas bocejam como tartarugas?
Descobri que faz mais de sessenta anos que psicopatia vende bem. No filme clássico “Crepúsculo dos Deuses”, de 1950, há um diálogo entre dois personagens debatendo um roteiro em que estão trabalhando: “Para começar, acho que você deveria jogar fora toda essa coisa psicológica de explorar a mente doentia de um assassino.” ele diz, sendo imediatamente contestado por ela: “Mas psicopatas vendem como pão quente”.
O desprendimento que esses sujeitos aparentam, vivendo de acordo com seus impulsos sem se importar com a rede social de que fazem parte é, de alguma forma, sedutor – já imaginou, fazer o que bem entender, dane-se o mundo? Esse desprezo pelos outros me fez pensar: será que eles bocejam?
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Alegrias e tristezas de bichos e humanos
Não sei se você já percebeu como os animais facilitam a conversa. Quando existe um cachorro presente raramente falta assunto para as pessoas, e as relações humanas parecem facilitadas. Se em vez de um cão forem duzentos animais selvagens, vários deles ameaçados de extinção, além de uma boa conversa isso pode render um bom filme.
Compramos um zoológico, filme do diretor Cameron Crowe com Matt Damon e Scarlett Johansson, retrata essa situação.
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Chaminé vs. Manjedoura – a psicologia de um Feliz Natal
Nem vou tentar fugir do tema natalino. Eu gosto de ritos, pessoalmente e profissionalmente, e o Natal tem tanta importância na nossa sociedade que vale a pena pensar um pouco sobre ele.
Duvido que você não se enquadre em pelo menos uma (senão em todas) as seguintes categorias, já que pesquisas indicam que existem sete principais atividades e experiências natalinas: 1) Passar tempo com a família; 2) Participar de atividades religiosas; 3) Manter tradições da época; 4) Gastar dinheiro com as pessoas comprando presentes; 5) Receber presentes das pessoas; 6) Ajudar os necessitados; 7) Desfrutar os prazeres da época, como as comidas típicas. (…)
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Crack e as metáforas – epidemia ou não epidemia?
Polêmica: é certo permitir a internação compulsória dos usuários de crack? Ok, é um assunto polêmico. Mas já falei dele antes (aqui), e acho que há outro debate importante nessa questão para a qual não se deu até agora a devida importância: afinal, o crack é ou não uma epidemia?
Enquanto Paulina Duarte, a secretária nacional de Políticas Sobre Drogas, diz que falar isso é “bobagem” que alimenta a “pedagogia do terror”, o ministro da Saúde Alexandre Padilha afirmou que “No conceito técnico, estamos diante de uma epidemia de crack”. Até onde vi a mídia só repercutiu a história no nível do bate-boca político, mas há uma segunda camada de leitura muito mais profunda e com impactos sérios na forma como abordaremos o problema do crack, pois as palavras que usarmos podem ditar os rumos que tomaremos.
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