Psiquiatria e Sociedade

Mente, cérebro e gente

Dirigir na contramão e escrever sem acento

with 4 comments

Vejam os dois desafios que enfrento: escrever sem poder utilizar acentos ou cedilha, pois o Mac que uso no momento rejeita qualquer tentativa de acentuar, e, muito pior, dirigir pela esquerda, com o volante no local onde a vida inteira andei como passageiro.

Viajando pelo Reino Unido tive que fazer como diz o ditado: em Roma, como os romanos. Mas a dificuldade foi grande: o volante no outro lado do carro e o carro do outro lado da rua. Em mais de uma curva me vi entrando errado, quase indo bater de frente com os motoristas escoceses. Isso sem (ainda) ter dado um gole sequer de whisky.

Mas acho que esse talvez seja um dos principais motivos pelos quais gosto de viajar: nunca se chega mais perto de saber como as meninas e meninos se sentem durante o crescimento – as regras ocultas, a dificuldade de entender totalmente a linguagem, a necessidade de adquiir nova habilidades, a nem sempre boa vontade dos outros em explicar as coisas. Assim como quando estamos crescendo, quando viajamos nos expomos ao desconhecido, tendo como pagamento nada mais do que ter a curiosidade de experimentar novidades satisfeita.

Para ver lugares, saber seu aspecto ou mesmo ter conhecimento de detalhes sobre sua cultura e seus costumes, hoje em dia basta clicar o mouse. Penso que viajar tenha outra finalidade: em vez de apenas conhecer, viver. Em lugar de meramente olhar, experimentar. Bater com o espelho retrovisor num carro parado no meio-fio, como fiz, fala mais sobre a dificuldade de reprogramar nossas sinapses do qualquer experimento laboratorial pode fazer. Por outro lado, aprender a contar moedas estrangeiras, decifrar menus misteriosos ou mesmo ligar as torneiras mais esquisitas, mostram como a plasticidade neuronal pode ser ativada mesmo na vida adulta.

Por tudo isso, encarecidamente rogo que me perdoem o estilo truncado desse post – foi uma dificuldade maior do que imaginara escolher palavras a dedo para contornar a falta de acentos. Mas foi apenas mais um aprendizado que as viagens proporcionam.

Written by Daniel M Barros

22/08/2011 às 6:11 PM

Publicado em Uncategorized

4 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Muito bom! Reconheci-me em várias situações na minha última viagem ao exterior, é assim mesmo. E também adoro viver e experimentar. Permito-me.

    Lia

    22/08/2011 at 9:11 PM

  2. Para acentuar no Mac é muito fácil. É só baixar o USInternational (um programinha gratuito e desenvolvido por um cara muito bacana chamado Rainer Brokerhoff). Baixe o programa no site dele: http://brockerhoff.net/usi/ e siga as instrucoes que você vai estar acentuando rapidinho!

    Michael Waisberg

    22/08/2011 at 10:56 PM

    • obrigado, Michael! Mas o Mac é do hotel e bloqueia download de softwares.
      Amplexos!

      Daniel M Barros

      23/08/2011 at 5:35 AM

  3. Eu diria que em música tudo pode ser assim se você muda de tom ou de intrumento de repente. Fazer novas sinapses é um desafio mas após o início, isso pode ser delicioso.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: