Psiquiatria e Sociedade

Mente, cérebro e gente

Carta aberta aos comediantes brasileiros

with 23 comments

Caros comediantes brasileiros,

Analisar o humor é como dissecar um sapo, poucas pessoas se interessam e no final o sapo morre, disse o escritor E.B.White. Tudo bem, mas sem querer ensinar o padre a rezar a missa, acho que a ciência poderia ajudar vocês a evitarem alguns problemas judiciais sem perder – muito – a graça.

(…)

 

AVISO – O blog migrou para o portal do Estadão. Para ler a íntegra desse texto clique AQUI.

ResearchBlogging.org McGraw AP, & Warren C (2010). Benign violations: making immoral behavior funny. Psychological science, 21 (8), 1141-9 PMID: 20587696

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Written by Daniel M Barros

08/06/2011 às 10:37 PM

23 Respostas

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  1. Brilliant! Espero que não tenham perdido a cabeça para entenderem.

    Leonardo Sauaia

    08/06/2011 at 11:32 PM

    • Não achei brilhante assim não… Tudo que foi dito já era pra ser lugar-comum. O comediante que ainda faz piada tosca com homossexual, por exemplo (como meu pai ainda faz em casa), o mercado naturalmente vai cortar desde que tenha discernimento o bastante pra isso. Agora, em certas regiões, com certeza fariam sucesso. A crítica tem que ser nossa, cabe a nós limar quem insistir.

      Lembram que o Costinha fazia apenas piada de “bichinha”? Adorávamos (alguns com certeza se incomodavam). Atualmente, porém, não caberia, não porque ser politicamente correto é o usual, mas porque a hipocrisia diminuiu nesse tempo, temos vários amigos saindo do armário, digamos assim, e apenas a possibilidade de causar qualquer constrangimento a amigos e companheiros de trabalho, já justica não fazer/gostar de tais piadinhas.

      jonesgen

      09/06/2011 at 2:05 PM

    • Não achei brilhante assim não… Tudo que foi dito já era pra ser lugar-comum.

      O melhor comentário sobre esta frase é uma frase (que, se não me engano, também é do Groucho): “O lugar-comum, na verdade, não é muito comum.” (“Common sense isn’t indeed common at all”).

  2. excelente comentário! Deveria ser encaminhado direto para o Danilo Gentili, para ver se ele retoma a linha.
    ab

    pacheco

    09/06/2011 at 10:07 AM

  3. Gostei do texto. Mas piada de estupro não tem graça nem com a Cleópatra ou qualquer outra mulher da História.

    Jamille Daher

    09/06/2011 at 10:13 AM

    • É. No fundo também tenho dúvida, por isso pus um “talvez”. Obrigado pelo comentário.

      Daniel M Barros

      09/06/2011 at 11:56 AM

    • muito bem colocado…

      Roges Ghidini

      14/06/2011 at 4:32 PM

  4. Papo furado.
    Criar regras para o limitar o humor é sinal de atraso intelectual e preconceito.

    O movimento ‘certinho’ é tão injusto, tão cruel, que – de má fé – quer fazer acreditar que os humoristas são a favor do estupro ou do holocausto. Não achar graça é natural, achar exagerado também, mas impor limites e criar todo esse alarde é babaquice e falta do que fazer, misturada com inveja.

    Você diz que “o holocausto só poderia eventualmente ser tema de piada para uma civilização alienígena”. Quem disse? É porque você acha que não deve? Então a sua moral é a regra para a sociedade? Parece muito pretencioso e muito mais nocivo do que as próprias piadas.

    Vejamos, você acha que piadas de estupro não tem graça e são ofensivas, por isso devem ser banidas. Eu acho que cultos religiosos na tv são ofensivos, apesar de engraçados, e por isso devem ser banidos, cascaínos acham que jogos do flamengo são ofensivos e devem ser banidos. E por aí vai.

    Tarilonte

    09/06/2011 at 12:58 PM

    • Caríssimo,
      Em nenhum momento eu faço juízo de valor, dizendo o que é certo ou errado, nem que algo deve ser banido ou aprovado. Nesse sentido sou liberal a ponto de achar que cada um fala o que quer e reponde por isso.
      O que o texto procura – baseado na pesquisa científica citada – é explicitar as razões do barulho todo. A teoria das violações benignas traz uma explicação testável e falseável – portanto científica – para algumas características que podem fazer uma piada ser mais engraçada ou mais ofensiva para a média das pessoas.
      Longe, mas muito longe mesmo, de mim querer criar regras para humor ou para quaquer outra área do comportamento.
      Abraço.

      Daniel M Barros

      09/06/2011 at 1:07 PM

  5. Perfeito.

    marcosfaria

    09/06/2011 at 1:02 PM

  6. Daniel,

    Talvez a hipótese das violações benignas seja válida, talvez não. Mas vejo dois problemas no seu texto, pelo menos da maneira como foi apresentado. Mesmo que a hipótese seja válida, faltou a você demonstrar porque o assunto “holocausto” deveria ser excluído de tentativas de fazer humor. Aí houve um salto lógico, uma falácia – você misturou a sua opinião com a hipótese, tentando angariar o aval da “ciência” (o que isso significa, aliás?). Segundo, que para decidir o que é uma violação “benigna” ou não, não existe outro jeito a não ser emitir um juízo de valor (nem que seja esse “juízo de valor da média das pessoas”). Nesse sentido, qualquer ofensa, dependendo do contexto, poderia legitimar essa hipótese, já que sempre haverá alguém para se ofender com alguma idéia, seja qual for (isso me faz ter um pouco de problema em avaliar tal falseabilidade). Portanto, sua alegação de que a hipótese é falseável, mesmo que seja verídica, está longe de garantir que ela seja universal – humor nunca pode ser dissociado de um contexto – e uma mesma piada pode ser hilária em uma situação e ofensiva em outra. Talvez o público de tais comediantes não seja a “média das pessoas”, seja lá o que for que isso signifique.

    Ofereço um texto (que já afirmo não tem nada de científico) do Doug Stanhope, um comediante que faria esses comediantes brasileiros a quem você faz alusão parecerem meninos inocentes (e que inclusive já fez muitas piadas sobre estupro e holocausto), tratando justamente disso. É um pouco longo, mas já que você tem interesse no assunto, recomendo (em inglês): http://www.heraldscotland.com/mobile/comment/guest-commentary/doug-stanhope-on-offensive-comedy-1.1083012

    NightHiker

    09/06/2011 at 5:14 PM

    • De fato, pensando sobre o que você disse corrijo o que eu disse antes, e concordo que o próprio conceito de onfensivo já emite um certo juízo de valor. Mas eu não disse que um ou outro assunto têm que ser excluídos. Mantenho que não entro no mérito do certo x errado. Só disse porque acho que eles ofenderam, e que, dentro da hipótese apresentada, eles não terão graça para o grande público.
      O salto lógico que trata sobre o holocausto me parece bastante claro – e nada falacioso – dentro da teoria: para a maioria das pessoas o extermínio de seres humanos inocentes é um assunto que, pela “imensidão do sofrimento causado”, viola regras fortes, que estão próximas das pessoas em geral e para o qual não existe uma outra regra a favor. Assim, pela teoria, não tem como não ser ofensivo em vez de engraçado (de novo, para a maioria das pessoas, que é do que o texto trata).
      E concordo com você que o humor depende do contexto – tanto que dou exemplos hipotéticos de contextos nos quais imagino que estupro e holocausto poderiam render piadas engraçadas – pela última vez – para a maioria das pessoas. Dizer que uma teoria é científica não significa dizer que ela é universal. Recomendo a leitura do livro “Que é ciência afinal?”, do filósofo da ciência Alan Chalmers.
      Um abraço.

      Daniel M Barros

      09/06/2011 at 6:51 PM

    • Caro Daniel,

      Quanto ao holocausto, você disse que só poderia ser tema de piada para uma civilização alienígena. Desculpe-me, mas isso parece um pouco mais extremo do que apenas “é ofensivo para a maioria das pessoas”, e talvez por isso tenha suscitado meu comentário com relação à questão da universalidade de tal hipótese.

      Mas tudo bem, realmente você não disse que tais assuntos “tem” que ser excluídos, apenas que são ofensivos para a maioria das pessoas, o que acaba sendo na prática uma sugestão de que, se tais comediantes não quiserem ter problemas, eles deveriam excluí-los. E o que dizer do humor que ofende apenas algumas pessoas? Deveria ser evitado também? Afinal, a violação “benéfica” para uma maioria pode ser “maléfica” para alguns poucos. É nesse sentido que questiono não necessariamente a plausibilidade da hipótese da “violação benéfica”, mas sim sua aplicabilidade na prática, porque essa “média das pessoas” não passa de uma construção estatística.

      Por exemplo, para efeito de discussão, digamos que em um determinado contexto 80% das pessoas não gostariam de piadas com o holocausto, outros 80% não gostariam de piadas com religião, e que 80% não gostariam de piadas com estupro, etc. Só que isso não sigifica que as mesmas pessoas estariam nesses grupos todos. Veja que o critério utilizado foi um vínculo psicológico com o tema explorado, então, considerando-se como pessoas abrigam pensamentos dissonantes, uma boa parte dos que não toleram um assunto poderiam estar nos 20% que toleram um ou mais dos outros, e assim por diante. Dar muita importância para essa “maioria das pessoas” como se ela fosse uma massa homogênea seria próximo a achar que cada casal tem realmente 2,3 filhos ou seja lá o que for. Trocando em miúdos, não é tão simples assim evitar ofender uma parcela significante da população durante o curso de qualquer show de humor com aspiração de deixar algum efeito duradouro na platéia.

      Mas aí caímos em um outro problema: por que ofender é algo necessariamente ruim? Veja que entendo que a qualidade do humor não depende do seu grau de ofensividade, e há humor que é apenas ofensivo e não traz nada de útil, e talvez tais comediantes até mesmo se enquadrem nessa categoria. Mas e se a intenção do humor for, não ofender por ofender, mas instigar a reflexão, analisar tabus, e tratar justamente de assuntos que são ofensivos para muitas pessoas? Esse humor deveria ser podado, mesmo que tacitamente, por medo de ondas de movimentos politicamente corretos?

      Creio que não. E o fato desses comediantes correrem o risco de serem processados, num claro abuso da lei, me parece piada de muito mais mau gosto com um valor no mínimo tão importante ou universal quanto qualquer outro: a liberdade de expressão.

      Abraço.

      NightHiker

      09/06/2011 at 7:52 PM

  7. Gostei do artigo.
    Que bom seria se tudo o que ouvimos de forma oficial através dos noticiários sobre políticas e políticos não passassem de pura brincadeira e fossem apenas piadas.
    Mas no mundo real é assim mesmo , muitos perdem a cabeça, mesmo sem ser preciso uma ordem especifica de algum “Rei”.
    E ,mesmo assim corremos o risco de irmos parar nos calabouços da vida …
    Parece piada né…..que bom se fosse apenas piada ….
    Assinado:
    José Carlos Vicente
    São joão da Boa Vista
    São Paulo
    Brasil

  8. Excelente discussão. Parabéns, Daniel.

    Só fico me perguntando se a tal “liberdade de expressão” tão invocada pelo articulado NightHiker é, também ela, um valor pleno e universal.

    Sibele

    11/06/2011 at 12:32 PM

    • Sibele,

      Se a “liberdade de expressão” é um valor tão importante e universal quanto qualquer outro (que foi o que eu afirmei)? Bom, se você ainda tem dúvida depois de ter acabado de exercitá-la, talvez só obtenha sua resposta se um dia ela lhe for negada. ;)

      Abraço.

      NightHiker

      11/06/2011 at 5:59 PM

  9. È um absurdo, a comédia é importante, eles fazem piada com gordo, pobre, bêbado, policial e etc… nada mais justo que fazer com homossexuais… é lamentável a mordaça que os homossexuais querem colocar na sociedade. abaixo a pl122!

    ricardo

    14/06/2011 at 3:29 PM

  10. Carta estupida e imbecil,o humor nao tem limites o dia que tiver deixa de ser humor!Se nao gostam de certas piadas ignore-as,mas nao queiram censurar os humoristas isso é coisa de gente ultrapassada,desatualizada e sem senso de humor

    Nicolas

    14/06/2011 at 3:56 PM

  11. O fato é, piada só tem graça quando vc está fora dela, eu já fui vidraça e uma pedrada dói, dói muito…A dita “liberdade” de criação acaba, em alguns casos, ferindo o bem estar de outros. Piadas de mau gosto fazem muito mal e quem pode dizer isso são os negros, os nordestinos, os caipiras, as mulheres e sim, os homossexuais que ao contrário do que se diz por aí, essas pessoas citadas anteriormente não fazem parte de uma minoria, termo usado para camuflar outros preconceitos.

    Marcos

    14/06/2011 at 4:03 PM

  12. Ah! só pra completar meu raciocínio, vcs não acham estranho que a maioria dos temas abordados em piadas sempre se referem às categorias sociais que já sofrem repressão?!? Ou vocês conhecem piadas com aquilo que a sociedade exalta?? Algumas piadas sempre reforçam a subordinação da mulher, a ingenuidade do matuto, e assim vai por outros clichês tão bem explorados pelos digníssimos comediantes de programas de grande alcance. Programas esses que acabam, de certa forma, formando a maneira de pensar da população que repete incessantemente os seus bordões e trejeitos até mesmo quando querem ofender alguém no seu círculo de relações. Existe algo realmente podre em tudo que se faz…e isso não é piada.

    Marcos

    14/06/2011 at 4:19 PM

  13. Agradeço pelos que usam da já citada liberdade de expressão para criticar com humor o nosso cotidiano e suas vicissitudes. E temo pelos que se autoidolatram por conta de errarem a mão nessa crítica, pois servem de exemplos negativos para pertetrarem e ufanarem maus modos e/ou modelos.
    Dizem esses que fazem humor inteligente; mas pecam pela falta de inteligência em saber dosar seus modos…

    Alberto deAvyz

    14/06/2011 at 4:41 PM

  14. Eu só diria que falta bom senso. O cuidado com as palavras e com aquilo que elas querem expressar perdeu-se a muito tempo. O jeito é aquele que se sente ofendido, deve no máximo escutá-la repetidas vezes até que tenha sido esquecida. Já que os comediantes continuaram a perder o bom senso, ou na realidade, já não o tem. Piadas sempre serão reflexo do oportunismo do riso. Chamo de oportunismo porque tal piada vem carregada de intenção, ou vocês acham que nada é pensado, e que tudo é feito só para distrair. É obvio que o ridículo do riso, deixou de ser algo “inocente” e se torna cada vez mais deprimente. Rir da desgraça alheia sempre foi o mote de uma parte da risada. No filme Se beber não case, parte II, tem um comentário em forma de piada racista, pergunta se alguém no cinema riu nessa parte? É óbivio que não, é crime. Então por essa lógica tudo então terá que ser criminalizado para que os ditos excessos não sejam realizados? Não sei de verdade, só sei que os comediantes terão uma dura batalha pela frente, fazer rir, sem fazer chorar.

    Arquimedes

    14/06/2011 at 5:16 PM


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