Psiquiatria e Sociedade

Mente, cérebro e gente

Cérebro: os bastidores da história

leave a comment »

[tweetmeme]
Antes de mais nada deixe-me esclarecer um mal entendido sobre o post passado: não pretendi que ele fosse pessimista. A mensagem final é que sempre erramos nas expectativas, mas podemos errar para mais ou para menos, sendo surpreendidos negativa ou positivamente. O Reveillon em Times Square foi uma bela ilustração disso, porque a parte ruim foi pior do que eu pensei que seria, mas a parte boa foi muito melhor do que eu imaginara. Se valeu a pena? Essa não é uma boa pergunta, pois não acho que consiga reduzir essa experiência tão rica em emoções numa resposta sim ou não.

Esclarecido este ponto, vamos em frente: está em cartaz no Museu de História Natural de NY a exposição “Brain: The inside history“. A proposta dos curadores é apresentar ao público geral, de maneira interativa e – por que não – lúdica, os mais recentes avanços de um dos “mais quentes e promissores campos em ciências atualmente – as neurociências”, nas palavras do presidente do museu.

Confesso que não foi sem preocupação que adentrei a exposição, pois na última vez que vira algo semelhante, em São Paulo, havia me decepcionado um pouco com o reducionismo adotado: “Você é o seu cérebro”, dizia. Bem, pareceu-me que a curadoria do “Brain: the inside history” conseguiu fugir dessa armadilha sendo ainda mais reducionista – focando exclusivamente no cérebro e seu funcionamento, eles evitaram falar do “eu”, do “ser” ou mesmo da “consciência”. O seu cérebro é o seu cérebro, até aqui sabemos que ele funciona assim ou assado, e “você” percebe ou sente ou faz isso ou aquilo quando ele entra em ação. Sem especulações metafísicas. Sem explicações sobre a alma. Estamos aqui para discutir essa complexa máquina que é o cérebro. Só. Assim procedendo fugiram das questões mais complexas, que dariam margem a muitas críticas qualquer que fosse a postura adotada, da origem de nossa vida mental.

Infelizmente os curadores não destacaram o quanto ainda não sabemos. E embora eles não afirmem, também não negam que a causa de toda nossa vida mental seja redutível ao funcionamento dos neurônios. Não custava nada colocar um simples lembrete dizendo que associação não é causa: não é porque a região frontal esquerda se ativa quando estamos tristes que ela é a origem da tristeza. São eventos que ocorrem juntos e não sabemos se um decorre do outro ou não.

Para mim, no entanto, o balanço é positivo. A exposição cumpre seu papel de divulgação científica, desperta interesse de crianças e adultos, sem cair na ladainha do reinado absoluto dos neurônios. Portanto, dessa vez consigo responder: valeu a pena.

Anúncios

Written by Daniel M Barros

07/01/2011 às 2:09 PM

Publicado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: