Psiquiatria e Sociedade

Mente, cérebro e gente

A falta que uma oposição faz

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De vez em quado as pessoas dizem que eu sou do contra. Nem tão de vez em quando assim, para falar a verdade, mas de vez em quando eu mesmo concordo com elas (ainda que seja raro eu concordar…). De qualquer maneira, a ciência acaba de descobrir a falta que faz uma boa posição – não que isso seja grande novidade para nós, que acompanhamos um triste filme nesses tempos de eleição.

Estudando a dinâmica de interação entre líderes e liderados, pesquisadores da Flórida conduziram 5 experimentos diferentes, avaliando o perfil dos chefes e seu padrão de comportamento com relação a seus subalternos, identificando duas abordagens principais nos mandatários: a do domínio e a do prestígio. Levando em conta que em qualquer relacionamento desse tipo as pessoas cedem privilégios e direitos em favor de um líder, para que este trabalhe para o bem coletivo, existe uma tensão constante entre o quanto de poder as pessoas abrem mão – querendo fazê-lo sempre na menor quantidade possível – e o quanto de poder o líder ganha – tendendo a querer sempre o máximo possível. Aqueles líderes que utilizam a estratégia do prestígio, por um lado, aproveitam-se de seu status elevado em benefício do grupo todo; os que se voltam para o domínio, contudo, preferem forçar a distância entre o poder que conseguem obter e quanto o povo quer conceder; com isso, também conseguem trabalhar para o bem coletivo, mas são os mais tentados a usurpar o poder em proveito próprio: em situações experimentais nas quais a hierarquia era internamente fragilizada tais líderes passavam a privilegiar o próprio poder em detrimento do interesse geral – omitiam informações relevantes para o grupo, excluíam pessoas competentes e buscavam esvaziar a influência de outras pessoas – que não sua própria – sobre o grupo. Tais efeitos perniciosos não se manifestavam, no entanto, se houvesse um grupo opositor, pois isso ativava características alternativas de liderança.

Soa bastante familiar, pelos menos aos meus ouvidos. Mas pelo andar da carruagem haverá muito tempo para a oposição aprender a se comportar como tal no Brasil.

ResearchBlogging.org Maner, J., & Mead, N. (2010). The essential tension between leadership and power: When leaders sacrifice group goals for the sake of self-interest. Journal of Personality and Social Psychology, 99 (3), 482-497 DOI: 10.1037/a0018559

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Written by Daniel M Barros

14/09/2010 às 10:14 AM

Publicado em Uncategorized

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2 Respostas

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  1. A oposição brasileira tem no nome ‘social democrata’, mas não tem representação civil.

    O próprio criador do PSDB assume que seu partido é vazio:

    http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6939#idc-container
    http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6846
    http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6841
    http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6850
    http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6855

    bo

    14/09/2010 at 3:26 PM

  2. Olá, Daniel, ótimo blog.
    Comecei um recentemente sobre cultura psiquiátrica, e estou te linkando: http://fluxodopensamento.wordpress.com

    S. Albuquerque

    18/09/2010 at 9:31 PM


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