Psiquiatria e Sociedade

Mente, cérebro e gente

3D pode ser Arte – Alice, Burton e Carroll

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Distúrbios neuropsiquiátricos como intoxicação por metais pesados, enxaqueca e até pedofilia fazem parte do universo de Alice no país das maravilhas. Mas falemos disso mais tarde.

Antes, vamos ao filme de Tim Burton, versão para a obra de Lewis Carroll concebida com base nos dois livros protagonizados por Alice (o já citado Alice no país das maravilhas e o Através do espelho). Conhecido por seus mundos sombrios, Burton recriou no cinema o universo a um só tempo onírico e perturbador no qual Alice é atirada. E ao lançar mão do recurso 3D ele nos faz compartilhar da seu espanto e perplexidade. Essa tecnologia poderia esvaziar o cinema de seu status artístico, uma vez que, quanto mais avançada a técnica, mais perfeita a reprodução do mundo, e quanto menor a distância entre a representação e o mundo como ele é, menor fica o espaço para a interação criativa do espectador. Mergulhando no universo nonsense e caótico onde estão Alice e Carroll, no entanto, Tim Burton volta a aumentar esse espaço, pois como não é possível reproduzir fielmente a “realidade” dos sonhos, a mais avançada das mais avançadas técnicas somente se aproximará do que é esse mundo, deixando o trabalho de preencher as lacunas àquele que contempla a obra – como na arte.

Na versão atual, no entanto, não temos simplesmente a filmagem dos livros. Antes, mostra uma Alice já adulta, num momento crítico de sua vida, sendo novamente levada aos subterrâneos (da existência? de sua mente? do inconsciente coletivo? – vale lembrar que a primeira versão da história chamava Alice in the underworld), reencontrado e reinterpretando os personagens de sua infância. Assim fazendo, o diretor mais uma vez nos leva junto com Alice, já que nós também somos convidados a voltar à história que conhecêramos noutro tempo, o que permite nova leitura dos símbolos e significados daquela fantasia.

O filme é, portanto, assim como eram (e ainda são) os livros, uma viagem que nos é proposta e à qual, se assentimos, emergimos diferentes a cada vez.

E os transtornos neuropsiquiátricos? Prometo um post extra nesse fim-de-semana só com esse assunto.

Written by Daniel M Barros

23/04/2010 às 11:41 AM

Publicado em Uncategorized

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6 Respostas

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  1. Vou ficar na expectativa do próximo post… :)

    Fernanda Poletto

    23/04/2010 at 11:51 AM

  2. adorei seu post.. aguardando o próximo ..

    sandra

    25/04/2010 at 7:48 PM

  3. Daniel, gostei mto do q escreveu!

    LEILA

    26/04/2010 at 9:56 PM


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