Psiquiatria e Sociedade

Mente, cérebro e gente

Deprimido na cadeia

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O governador cassado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, reuniu policiais e médicos sem querer: ambos o estão investigando.

Mantendo-me afastado das questões de polícia que cerca o caso, valem alguns comentários sobre seu estado de saúde. Examinado por conta de edema em membro inferior (vulgo pé inchado), foi descoberta uma arritmia cardíaca, agora também sendo averiguada. Segundo seu médico, no entanto, o que chama a atenção é “o profundo abalo psicológico”.

O encarceramento é, de fato, associado a quadros depressivos. Os dados internacionais mostram que mais da metade das pessoas aprisionadas de alguma forma apresentam, ao menos um transtorno mental (entre 60 e 80%, dependendo da fonte). E um problema adicional é que alguns diagnósticos bastante comuns nesses casos, como a depressão, no mais das vezes não são diagnosticados (1). Provavelmente porque uma pessoa gritando e vendo coisas incomode mais do que outra, recolhida em seu canto e evitando contato.

Um fator preocupante, do ponto de vista clínico, no caso de Arruda, é que a depressão é um fator de risco para complicações cardiovasculares (2). Se ele está de fato com trombose e arritmia, os riscos são ainda maiores.

Nada disso, é claro, confere privilégios ao ex-governador; se as pessoas com diagnósticos psiquiátricos tivessem o direito todas de ir para casa, a população carcerária mundial cairia no mínimo pela metade. Se está doente e for condenado, que se trate na prisão. Mas prover o tratamento adequado é dever do Estado e direito dele, independentemente de sua situação jurídica.

ResearchBlogging.org(1)Lafortune, D. (2010). Prevalence and screening of mental disorders in short-term correctional facilities International Journal of Law and Psychiatry, 33 (2), 94-100 DOI: 10.1016/j.ijlp.2009.12.004
(2)Vogelzangs, N., Seldenrijk, A., Beekman, A., van Hout, H., de Jonge, P., & Penninx, B. (2010). Cardiovascular disease in persons with depressive and anxiety disorders Journal of Affective Disorders DOI: 10.1016/j.jad.2010.02.112

Written by Daniel M Barros

18/03/2010 às 1:10 PM

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