Psiquiatria e Sociedade

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Nunca esqueço de uma questão que errei na prova do concurso para residência médica: qual o fator que mais reduz a mortalidade no trânsito? Lembro que marquei uso do cinto de segurança, mas o fiz com muita dúvida, pois no fundo achava que a correta poderia ser “investir em educação”. Era.

Qual o segredo? Cinto de segurança não é importante? É, e muito. Mas quando há mais educação as pessoas não só usam mais o cinto, como também adotam outros comportamentos seguros e saudáveis. Essa é a principal hipótese a explicar porquê os anos de estudo são a variável que mais prolonga a expectativa de vida de uma pessoa (1). Não é o fato de pessoas que estudam mais terem maior probabilidade de ter mais dinheiro – mesmo após controlar fatores como renda, raça, sexo, exposição a violência, os economistas veem maior longevidade quanto mais se estuda, o que é provavelmente fruto da maior capacidade de tomar atitudes não imediatistas, adiando gratificações em nome da saúde: por exemplo, cada ano a mais de educação equivale a 1,4% menos chance de ser obeso (2). No Brasil, uma dissertação de mestrado recente mostrou correlação positiva entre nível de escolaridade e realização de atividades físicas de lazer (Link – em pdf).

Quanto mais a pessoa estuda, inferem os cientistas, mais ela se torna capaz de traduzir o conhecimento em ações. Não se trata de saber mais, mas de processar a informação de forma distinta, pagando muitas vezes um preço desconfortável no presente (como fazer dieta ou exercícios físicos) em nome de um ganho futuro (mais saúde e um envelhecimento com qualidade).

Será que é por isso que pessoas inteligentes ganham até meio milhão de dólares a mais ao chegar à meia idade? E também a razão para homens com QI mais baixo traírem mais suas esposas? Temas interessantes que estarão disponíveis só para quem conseguir adiar a gratificação.

Research Blogging Awards 2010 Finalist (1) Lleras-Muney, A. (2005). The Relationship Between Education and Adult Mortality in the United States Review of Economic Studies, 72 (1), 189-221 DOI: 10.1111/0034-6527.00329 (2) Cutler, D., & Lleras-Muney, A. (2010). Understanding differences in health behaviors by education Journal of Health Economics, 29 (1), 1-28 DOI: 10.1016/j.jhealeco.2009.10.003

Written by Daniel M Barros

04/03/2010 às 2:22 PM

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