Psiquiatria e Sociedade

Mente, cérebro e gente

O equilibrista não é louco?

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Assistir ao documentário O equilibrista (Man on wire), que ganhou Oscar de melhor documentário em 2009 me levou a uma série de reflexões: até onde se pode ir na busca de um sonho, como são borrados os limites entre a autonomia do sujeito e a proteção do Estado, qual a força da amizade, como avaliar a beleza de uma conquista. De todas, gostaria de aprofundar-me brevemente em uma, tema central desse blog: o desafio da psiquiatria para diferenciar os loucos dos doentes mentais. Explico.

No senso comum, qualquer pessoa que aja de forma diferente da norma é anormal. Mas a minoria é doente. Como Philippe Petit, equilibrista que andou por quase uma hora entre as torres gêmeas num cabo preso clandestinamente por sua equipe. “Esse cara é louco”, pensamos ao ver sua proeza. Tanto assim que, logo após ser detido, foi imediatamente levado aonde? A um psiquiatra. Divertidíssimo vê-lo contando que o médico lhe perguntava se ele havia bebido. “Você está louco?” redarguia Petit “Você sabe o quê eu acabei de fazer? Como me pergunta se eu bebi?”. De fato, se alguém pretende se equilibrar num cabo a quase meio quilômetro do chão, a última coisa que deve fazer é beber.

No final das contas o médico sensatamente dá alta ao “nefelibata” (aquele que anda nas nuvens), não tendo diagnosticado qualquer transtorno mental. Mesmo ele sendo “doido”.

Penso, enfim, que a maior dificuldade não é diferenciar os loucos dos doentes. Tecnicamente isso não é assim tão complicado na maioria das vezes. O difícil mesmo é, feita essa distinção, explicar para a sociedade que, apesar de ser anormais, algumas pessoas não são doentes. Afinal, a gente está sempre em busca de uma causa para os comportamentos excêntricos. Mas como disse o próprio Petit, nem sempre temos as razões: “Não tem um porquê, essa é a beleza da coisa”.

Written by Daniel M Barros

25/02/2010 às 9:20 AM

Publicado em Uncategorized

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2 Respostas

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  1. Adorei o texto. Tomei a liberdade de trancreve-lo em meu blog (citando a devida autoria e fonte, claro).
    Divertidissima sua abordagem.

    Vanessa Marsden

    25/02/2010 at 2:50 PM

    • Realmente o filme mescla reflexão, empolgação e diversão. Muito obrigado pelo prestígio!

      Daniel M Barros

      25/02/2010 at 2:59 PM


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