Psiquiatria e Sociedade

Mente, cérebro e gente

O massacre de Wellington e a Psiquiatria Forense

with 18 comments

Após muitas entrevistas, acho que é hora de tentar reunir minhas ideias e impressões sobre o assassinato em massa ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro. Televisão, jornal e rádio acabam sempre editando o material ou pautando muito a entrevista e, portanto, se quiser conhecer de fato uma análise mais aprofundada do crime de Wellington Menezes de Oliveira, sugiro que tenha um pouco de paciência e leia o artigo todo.

O que temos de concreto

Ele era muito introspectivo,

Leia a íntegra no Portal Estadão.

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Written by Daniel M Barros

09/04/2011 at 10:26 PM

18 Respostas

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  1. Daniel,
    Concordo que não é possível elaborar um diagnóstico, como fez a Dra. Ana Beatriz B. Silva na tv. Lembro que esse tipo de massacre começou com os ex-combatentes de guerra e não com as vítimas de bullying, como muitos acreditam.
    É difícil dizer contra quem o atirador de Realengo se vingava. A hipótese de vingança é interessante, porém incompleta, com todas as demais.
    Acredito que a sociedade sinta frustração e impotência por não ter todas as peças do quebra-cabeças. Na minha opinião, tem que haver investimentos na saúde mental, sobretudo na prevenção, para que os psicólogos e psiquiatras consigam identificar esses assassinos antes do crime.
    Não sei se houve avanços quanto aos diagnósticos nos EUA, dada a significativa frequência desses crimes. Como o próprio assassino morre quase sempre, o entendimento dos casos torna-se mais difícil.
    Parabéns pelo texto, ficou muito bom.

    Vladimir Melo

    10/04/2011 at 1:17 AM

  2. Num caso desse muitas vezes corre-se o risco de associar possíveis problemas espirituais á atitude da pessoa. No meu olhar de leiga, o limite entre um problema psicológico e espiritual parece confuso…

    Denise Costa

    10/04/2011 at 9:11 AM

  3. Excelente texto, Daniel. Parabéns.
    Você fez considerações sobre um tema complexo de forma clara e objetiva, dentro de princípios que a ciência exige.
    Como você disse, “novas informações podem derrubar parte dessas ideias”, mas estas novas informações estarão baseadas no que foi escrito.
    Um abraço

    Montardo

    10/04/2011 at 11:31 AM

  4. Boa explanação sobre o assunto, como psiquiatra forense, tenho também evitado a abordar o assunto de forma categorial, dando um diagnóstico e uma solução organizacional para prevenção de um agravo como esse.
    Não acredito na possibilidade de Esquizofrenia e achei ótimo a evocação da catatímia, difícil é convencer. A sociedade está ansiosa demais por respostas mais simples, elevando muito o desafio para quem tem de opiniar à luz do que há de conhecimento científico na área.

    Leandro C S Gavinier

    10/04/2011 at 1:26 PM

  5. Desculpe-me a sinceridade, mais falou muita coisa, bastante articulado por sinal, contudo, para mim, pouco disse de aproveitável. Foi pra lá, para cá e acabou ficando em cima do muro com um relatório do tipo “inconclusivo”.
    Creio que não há como ignorar, conforme fez o articulista o tempo todo, a grande carga religiosa de origem evangélica/petencostal como um dos fatores significativos (senão, primordial) da conduta criminosa do atirador.
    Fugir desse assunto, bastante espinhoso, é querer fugir da verdade

    Marcio Gambôa

    10/04/2011 at 5:37 PM

  6. realmente, disse, disse e não falou nada. há muito se sabe que situações de exclusão, humilhação e diferenciação de status social (por qualquer motivo que seja), entre outras, geram agressividade e consequentemente atos violentos. não é possível inferir alguma patologia? correto. afinal ele está morto. impossível diagnosticá-lo. contudo, basta ter em mãos seu histórico de vida, aliado da carta que escreveu, além de relatos de conhecidos e vítimas que sobreviveram, para poder dizer com bastante pontualidade que ele sofria sim psicologicamente e emocionalmente. isso, sem sombra de dúvidas, foi o que motivou seu ato. nao é a toa que ele ainda ressaltou à um determinado aluno: “gordinho, VOCÊ não vai morrer.”

    arrebita

    10/04/2011 at 7:28 PM

    • “…geram agressividade e consequentemente atos violentos”. Não sei se entendi direito, mas devemos inferir que toda vítima de exclusão, humilhação e/ou exclusão social será necessariamente agressiva e violenta?

      Paula Soares

      22/04/2011 at 9:44 AM

    • não existe uma regra e só poderia afirmar isto caso seguisse uma linha cognitvo-comportamental, como tenho observado fazerem, mas não é o caso.

      arrebita

      23/04/2011 at 9:32 AM

    • Perguntei pq foi o que o seu texto deu a entender, ao dizer “há muito se sabe que situações de exclusão, humilhação e diferenciação de status social (por qualquer motivo que seja), entre outras, geram agressividade e consequentemente atos violentos”, e eu discordo completamente disso.

      Existem muitas possibilidades de reação de quem sofre exclusão, para além da violência. Inclusive, eu sou psicóloga cognitivo-comportamental e, na minha formação, nunca ouvi que devêssemos fazer essa relação.

      A TCC entende que o indivíduo é fruto da interação entre sua carga genética/biológica e o meio em que vive. Cada sujeito é único, assim como é única a sua interpretação do seu contexto e, consequentemente, são variáveis suas reações.

      Paula Soares

      23/04/2011 at 11:51 AM

    • Meu caro, em primeiro lugar não é possível afirmar nada ‘sem sombra de dúvida’ no caso de Realengo, e é justamente o que o autor do texto tentou, ser sóbrio e evitar análises rasas como as que tem acontecido o tempo todo pela mídia e por outros textos que são facilmente encontrados na internet. Além disso, a todo momento novos pontos surgem sobre o caso e, se você julga o dito pelo autor do crime para o ‘gordinho’ um ponto crucial da sua análise, deve lembrar existes fatores demais para serem acrescentados, inclusive outras falas dele.
      Em relação às abordagens, não creio que voce conheça muito a abordagem cognitivo-comportamental, pq esta em nenhum momento se diz determinista e reducionista, ao contrário, a análise é feita de forma complexa e probabilística.
      Até.

      Marcus

      23/04/2011 at 1:52 PM

  7. Daniel
    Parabéns pela argúcia do teu raciocínio! Entretanto, não me atrevo a pensar no estado catatímico, que com razoável certeza se apossou do ânimo do Wellington, como conseqüência de um histórico de humilhações em sua vida passada. Por entender que, antes de interpretar, devemos, como psicopatologistas, explicar ou compreender os fenômenos psíquicos vividos. Não me atrevo a montar uma equação onde círculo vicioso de humilhações sejam causa de retraimentos sociais, sem antes imaginar a possibilidade reversa, ou seja, ter sido humilhado porque era retraído e “esquisito” por natureza.
    ab

    pacheco

    10/04/2011 at 11:56 PM

  8. Caro colega,
    Gostei muito da sua análise. Penso que o diagnóstico de Esquizofrenia não cabe, nem cabe o de sociopatia pura e simples. Desde o início penso mais em um transtorno de personalidade morbidamente modulado pelo meio e miscigenado com más escolhas pessoais.

    Meire

    Meire

    11/04/2011 at 2:29 PM

  9. Me surpreendo como mesmo aqui nos comentários algumas pessoas insistem com a ideia de que não há sombra de dúvidas do que motivou o ato no rio.
    Há, sim, fortes indícios de que a motivação é múltipla, e justamente por isso, o Daniel Barros fez certo em não firmar um carimbo de verdade absoluta às respostas que tentou dar.

    Marcus

    11/04/2011 at 7:13 PM

  10. Olá, Daniel.

    republiquei seu texto no Bule Voador: http://bulevoador.haaan.com/2011/04/12/o-massacre-de-wellington-e-a-psiquiatria-forense/

    Abraços.

    Alex Rodrigues

    12/04/2011 at 1:42 PM

  11. Lenha na fogueira: Quem tem transtorno mental raramente comete crimes. Concordo. Mas quem comete suicídio raramente não tem transtorno mental.

    José Gallucci Neto

    13/04/2011 at 12:35 PM

  12. Melhor texto que li sobre o assunto até agora.
    Obrigada pela brilhante contribuição, num cenário em que tem-se feito tantas análises irresponsáveis e superficiais.

    Abraços

    Paula Soares

    22/04/2011 at 9:31 AM

  13. Gostei do artigo.
    Concordo com a teoria de que pessoas com tendências e/ou problemas de saúde mental sejam todas confundidas com assassinos…
    Todos podemos estar sujeitos a sofrer algum tipo de transtorno mental.
    Mas quanto a ser assassino, acredito que nada tenha a ver com doenças mentais.


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